out 14 2009
Cascatinha e Inhana, uma história de amor e sucesso
Impossível não falar de Cascatinha e Inhana quando o assunto é música caipira. Casal de voz inconfundível, estilo elegante, que foi referência de sucesso a partir da década de 1950.
Tudo começou em 1941 quando Ana (Inhana) conheceu Francisco (Cascatinha) se apresentando com o circo Nova Iorque na cidade de Araras (SP). Dizem, e a história comprova, que foi amor a primeira vista. Quando o circo levantou acampamento Ana acompanhou seu amado, contra a vontade da família, deixando pra trás um noivado de mais de um ano, e juntos formaram uma das duplas de maior sucesso da música caipira. O casamento foi sólido, durou 40 anos, até a morte de Inhana. No relacionamento tiveram um filho adotivo chamado Marcelo José.
Em 1942 o então Trio Esmeralda, formado por Ana, Cascatinha e Chopp, se apresentava em circos e também em programas de calouros. Ganharam alguns prêmios em dinheiro. Porém, para o bem da música caipira, um desentendimento entre Cascatinha e Chopp deu fim ao trio musical. Cascatinha seguiu seu caminho ao lado de sua esposa, que passou a atender pelo nome artístico de Inhana. Ingressaram no circo Estrela D’Alva e partiram para apresentações no interior de São Paulo e Rio de Janeiro.
No ano de 1951 a dupla Raul Torres e Florêncio tiveram um show cancelado, por motivos de saúde, na cidade de Jundiaí. Raul sugeriu que Cascatinha e Inhana o substituíssem para interpretar a música “Ave-Maria no Morro” de Herivelto Martins. Cascatinha e Inhana toparam o desafio e no final da apresentação foram aplaudidos de tal maneira que não conseguiram deixar o palco, conclusão, seguiram cantando outros grandes sucessos para alegria do público presente. Neste mesmo ano gravaram o primeiro disco de 78 rotações com as músicas “La Paloma” (S. Yradier – Versão: Pedro Almeida) e “Fronteiriça” (José Fortuna).

Cascatinha e Inhana "Os Sabiás do Sertão"
Cascatinha e Inhana foram pioneiros ao interpretar músicas paraguaias adaptadas para versões brasileiras, popularizando, desta maneira, o estilo “guarânia” no meio caipira. Em 1952 gravaram o disco de maior sucesso com as músicas “Meu Primeiro Amor” e a guarânia “Índia”. Estima-se que este disco de 78 RPM vendeu mais de 300 mil cópias em seu primeiro ano de vida. Um fenônemo para os padrões da época, onde as vitrolas eram inacessíveis (devido ao alto custo) para a maioria da população.
Com o sucesso de suas músicas, Cascatinha e Inhana colecionaram também muitos títulos. Receberam em 1951 e 1953 o Prêmio Roquette Pinto. Em 1954, receberam a medalha de ouro da revista “Equipe” e ganharam o título de “Os Sabiás do Sertão”, devido a pureza e afinação de suas vozes. Durante a carreira gravaram 34 discos de 78 rotações e aproximadamente 30 LP’s pela Todamérica e Continental. Alguns de seus maiores sucessos foram:
_ Índia (José Asunción Flor e Manuel Ortiz Guerrero, versão em português de José Fortuna, 1952);
_ Meu Primeiro Amor (Herminio Gimenez, 1952);
_ Mulher Rendeira (música do folclore nacional, 1953);
_ Iracema (1955);
_ Frô do Ipê (1958);
_ Colcha de Retalhos (Raul Torres, 1959);
_ A Lua é Testemunha (1965)
_ Louco Amor (1970);
_ O Menino e o Circo (Ely Camargo, 1972);
_ Flor do Cafezal (Luiz Carlos Paraná, 1973);
_ Cigarra Vadia (1980);
Cascatinha, como era conhecido Francisco dos Santos, nasceu em 20 de abril de 1919 na cidade de Araraquara (SP), era um exímio intérprete e violeiro. Durante um ano ocupou o cargo de diretor artístico da gravadora Todamérica, lançou duplas conhecidas como Nonô e Naná e Zilo e Zalo. Faleceu, aos 76 anos, em 14 de março de 1996 na cidade de São José do Rio Preto (SP).
Ana Eufrosina da Silva, ou Inhana, nasceu na cidade de Araras (SP) em 28 de março de 1923. Dona de um timbre inigualável, foi considerada por muitos como uma das vozes femininas mais perfeitas do Brasil. Faleceu na cidade de São Paulo em 11 de junho de 1981, aos 58 anos.
A contribuição de Cascatinha e Inhana para a música brasileira, não só a caipira, foi fantástica. Primeira dupla formada por marido e mulher, eles romperam com pré-conceitos e colocaram a música caipira em posição de destaque nacional, além de protagonizarem uma história de amor digna de cinema.
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Bibliografia
Ribeiro, José Hamilton. Música Caipira: as 270 maiores modas de todos os tempos. São Paulo: Globo, 2006.
Nepomuceno, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: 34, 1999.
Internet
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cascatinha_e_Inhana
http://www.radioterra.am.br
http://letras.terra.com.br
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O acervo de músicas desta dupla representa o que há de mais puro na música caipira de raiz. São músicas que resistem à modismos e renascem nas vozes de resgatadores de nossa música do sertão, tal como Décio Marques, Pena Branca, Genésio Tocantis, as Galvão, Inezita Barroso entre outros.
É uma pena que muitos dos valores da música sertaneja, dos anos 50 e 60, quando muitos destes aqui historiados, não pudemos deixar gravados para vivenciar em todos os nossos dias com toda a tecnologia e modernidade que hoje temos, ficaram apenas em nossas lembranças. Eu, por exemplo, não tinha nem um rádio de pilha para poder ouvir os cantores preferidos, por todo o tempo desejado e com o volume que saciaria o prazer de ouví-los. Hoje, as músicas mais famosas de artistas consagrados não tem os mesmos valores, músicas que na maioria são produtos da tecnologia computadorizada, sem o sentimento profundo do compositor que retratam muitas vezes a natureza, o amor e a paixão. É como tudo aquilo que é fácil de se conquistar, não tem os valores do sentimento por suas dificuldades, tornam-se raros efeitos da máquina. Saudades infinitas dos boleros de Carlos Alberto, Ramoncito Gomes e outros. E da dupla Tibaji e Miltinho.
Sds.Osvaldo
Tenho 64 anos de idade, desde criança ,cresci ouvindo musicas caipiras como se diziam no passado. E as melhores recordaçoes da minha infancia é quando escuto e tenho esse previlegio pela internete de ouvir as musicas mais lindas e parece estar ouvindo minha mae cantando as musicas desta dupla inesquecivel cascatinha e inhana, pois ela tambem já está dormindo no Senhor e aguardando a sua volta.
A melhor dupla caipira de todos os tempos. um dueto incomparável! Tirando suas músicas clássicas ouçam “Casinha Branca” do Gilson com eles… Divino!