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	<title>Prosa Caipira - tudo sobre cultura e música caipira &#187; Entrevistas</title>
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		<title>Paulo Freire, artista com alma caipira</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 10:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Caipira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Caipira, violeiro, escritor, ator, contador de causos, produtor, assim é Paulo Freire. Um artista. Vai lendo&#8230;
Prosa Caipira: você aprendeu a tocar viola no sertão de Urucuia, Minas Gerais, com o Sr Manoel de Oliveira. Imagino que aprender viola no sertão de Minas Gerais, em contato direto com a roça, tenha sido uma experiência fantástica. Dá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caipira, violeiro, escritor, ator, contador de causos, produtor, assim é Paulo Freire. Um artista. Vai lendo&#8230;</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: você aprendeu a tocar viola no sertão de Urucuia, Minas Gerais, com o Sr Manoel de Oliveira. Imagino que aprender viola no sertão de Minas Gerais, em contato direto com a roça, tenha sido uma experiência fantástica. Dá pra descrever a importância desta sua convivência com o povo simples do interior brasileiro durante seu aprendizado na viola?</p>
<p><strong><img class="alignright size-full wp-image-100" title="Paulo Freire" src="http://prosacaipira.com.br/wp-content/uploads/2010/01/paulo_freire.jpg" alt="Paulo Freire" />Paulo Freire</strong>: para mim, a música da roça precisa ser aprendida na roça. O sertanejo vive encantado em suas manifestações artísticas. Os toques de viola do Norte de Minas lidam com os fenômenos da natureza. Quando conheci o seu Manoel foi como desembocar em um grande rio, muito antigo e generoso. E a música do mestre continua me guiando. É impressionante o tanto de assunto que ela carrega. Fizemos um show juntos no final de 2009, lá no Urucuia, que foi extraordinário. Depois fiquei arranchado em sua casa, ouvindo e contando causo, deitado na rede e tomando banho de rio com os filhos de seu Manoel, meus irmãos. Tudo isso alimenta minha arte e só sou violeiro graças à esta formação.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: e sua experiência aprendendo violão clássico em Paris, como contribuiu para a formação do violeiro Pauo Freire?</p>
<p><strong>Paulo Freire</strong>: depois que morei no Urucuia, senti falta de um aprimoramento técnico no instrumento, no caso o violão. Também quis aproveitar todas as oportunidades que uma cidade como Paris nos proporciona. Assisti grandes concertos, freqüentei cursos de música, convivi com artistas de diferentes países. Estudei seriamente durante um ano e meio. Depois passei mais um ano viajando e tocando pela Europa. Foram dois aprendizados fundamentais, o primeiro me alimentando de uma cultura estabelecida e forte, o segundo tocando dias e noites e conhecendo novos países. Isso se reflete nos caminhos que busco para a música que faço.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: quem são os violeiros que te inspiram?</p>
<p><strong>Paulo Freire</strong>: além do seu Manoel, alguns outros violeiros do Norte de Minas, como o Adão Barbeiro, Zé Costa e Alírio Ramos. Renato Andrade sempre me inspirou, para tocar e contar causo, a figura do Renato é importantíssima para os violeiros. E tem um bocado de companheiro aí na estrada, que se falar de um e esquecer do outro, alguém vai acabar me rogando uma praga. E praga de violeiro&#8230;</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: na sua opinião, quais músicas caipiras não podem faltar em uma roda de viola?</p>
<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-101" title="Paulo Freire" src="http://prosacaipira.com.br/wp-content/uploads/2010/01/paulo-freire.jpg" alt="Paulo Freire" />Paulo Freire</strong>: acabei de me apresentar em uma roda de viola com o Índio Cachoeira e o Ricardo Anastácio. Nunca tínhamos feito nada juntos. E foi ótimo! A tendência é tocarmos os clássicos, como Rio de Piracicaba e Tristezas do Jeca, mas também apresentamos músicas nossas. Devo muito minha formação às Folias de Reis. Durante os pousos nos giros de folia, o que mais tocávamos nas rodas eram luduvinas, inhuma, rio abaixo, lundus. Então acho que existem vários tipos de roda de viola, e os clássicos que cada violeiro abraça.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: em seu livro &#8220;Eu Nasci Naquela Serra&#8221; você narra a história dos compositores Angelino de Oliveira, Raul Torres e Serrinha que foram grandes nomes na história da música caipira. A música caipira mudou bastante nos últimos anos. Como você analisa a música caipira produzida nos dias atuais?</p>
<p><strong>Paulo Freire</strong>: outro dia escutei no rádio uma entrevista com uma nova dupla. Eles explicaram de uma forma bem sucinta este causo. Falaram: primeiro teve a música caipira, depois a sertaneja, a sertaneja romântica e agora a sertaneja universitária. Acho que é simples assim, são músicas distintas com alguns traços em comum (às vezes só as vozes duetadas). Tem gente séria fazendo. Mas também tem gente só querendo se dar bem, seguindo alguma fórmula. A história da arte sempre foi assim.  E aí também entra a questão do gosto, tudo muito subjetivo. Enfim, essa é uma conversa comprida e espinhuda.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: a viola hoje está presente nos concertos, na universidade, e vem ganhando um destaque cada vez maior no cenário musical. Dá pra pensar em viola sem pensar em música caipira?</p>
<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-102" title="Paulo Freire" src="http://prosacaipira.com.br/wp-content/uploads/2010/01/paulofreire.jpg" alt="Paulo Freire" />Paulo Freire</strong>: tenho pensando cada vez mais no seguinte, a viola realmente vem se projetando e ganhando novos espaços, mas creio que o lugar mais importante da viola continua sendo a roça. Os interessados em buscar a essência deste instrumento, devem se lembrar sempre disso e buscar as Folias de Reis e toda a cultura do campo. Viola é a música caipira. Mas não só a música caipira produzida pelas duplas, tem também a música que se faz no sertão, em contato íntimo com a natureza, as músicas de caráter religioso, como os terços cantados e rezados com viola. Enfim, a viola tem assunto que não acaba mais. E cabe a nós todos que amamos este instrumento e o que ele representa, procurarmos estes conhecimentos tão importantes para a cultura brasileira.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: e o futuro, está trabalhando em algum novo projeto?</p>
<p><strong>Paulo Freire</strong>: estou ainda envolvido com o trabalho que lancei ano passado (2009): Nuá, as músicas dos mitos brasileiros, um CD junto com um livro de causos em que trato do encontro com os incríveis seres de nossas matas. Finalizei um novo romance, estou em negociação com algumas Editoras. Se tudo der certo, lanço este romance ainda em 2010. Em março saio em uma turnê por Santa Catarina, dentro do projeto Baú de Histórias, promovido pelo SESC SC, serão cerca de 40 apresentações. Estou escrevendo as minhas músicas para um álbum de partituras. Ana Salvagni e eu preparamos um novo repertório de voz e viola. Junto à ilustradora mineira Juli Buli preparamos uma série de livros para crianças. E ainda tem alguns projetos que estou namorando para este ano. Em meu site, o <a title="Paulo Freire" href="http://www.paulofreire.com.br" target="_blank">www.paulofreire.com.br</a>, vou contando tudo. Apareçam!!</p>
<p>&#8211;<br />
Crédito das Imagens &#8211; <a title="Paulo Freire" href="http://www.paulofreire.com.br" target="_blank">www.paulofreire.com.br</a></p>
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		<title>Ivan Vilela, violeiro e pesquisador</title>
		<link>http://prosacaipira.com.br/entrevista-com-ivan-vilela-violeiro-professor-e-pesquisador/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 10:40:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Caipira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Tive a honra de entrevistar o violeiro, pesquisador e professor universitário de viola caipira, Ivan Vilela. Com o conhecimento baseado em pesquisas e a experiência de quem desde cedo observa a cultura popular brasileira de maneira privilegiada, Ivan apresenta com propriedade seu ponto de vista apurado sobre cultura caipira e a viola como instrumento musical.
Prosa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_73" class="wp-caption alignright" style="width: 180px"><img class="size-full wp-image-73  " title="Ivan Vilela, violeiro e pesquisador" src="http://prosacaipira.com.br/wp-content/uploads/2010/01/ivan_vilela_3.jpg" alt="Ivan Vilela" width="170" height="249" /><p class="wp-caption-text">Ivan Vilela, foto divulgação.</p></div>
<p>Tive a honra de entrevistar o violeiro, pesquisador e professor universitário de viola caipira, Ivan Vilela. Com o conhecimento baseado em pesquisas e a experiência de quem desde cedo observa a cultura popular brasileira de maneira privilegiada, Ivan apresenta com propriedade seu ponto de vista apurado sobre cultura caipira e a viola como instrumento musical.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: em 2005 foi criado, na USP de Ribeirão Preto, o primeiro curso universitário do mundo voltado para a Viola Caipira, do qual você é professor. Como você avalia, 4 anos depois, a inserção da viola na universidade? Quais resultados foram conquistados?</p>
<p><strong>Ivan Vilela</strong>: os resultados são positivos no que toca à divulgação e sistematização de um ensino para a viola. No momento em que a viola, uma representante da cultura popular de uma grande parte do Brasil, entra pela porta da frente no mundo acadêmico, carreia com ela toda a cultura popular que a cerca.</p>
<p>Há ainda muito a ser feito. Não possuímos material escrito (partituras). Eu e meus alunos temos trabalhado direto no sentido de vertermos para o papel as músicas dos mais diversos violeiros. Na medida em que criamos uma literatura para o instrumento as escolas e conservatórios se sentirão estimuladas a inserirem a viola no elenco de instrumentos a serem ensinados.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: o jornalista José Hamilton Ribeiro afirma que a presença da viola caipira na academia, concertos e orquestras é uma vertente em crescimento. Como você, um dos representantes dessa nova safra de violeiros, avalia este movimento?</p>
<p><strong>Ivan Vilela</strong>: é um movimento forte, autêntico e que parte para colocar a viola em todos os segmentos musicais. A partir do momento em que cada vez mais violeiros divulgam o instrumento, maior é a certeza de o eternizarmos. Há muitos e muitos anos, décadas, eu diria, não vemos um número tão grande de meninos e jovens tocando o instrumento.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: na sua opinião, a viola corre o risco de se tornar um instrumento elitista, distante da cultura caipira?</p>
<div id="attachment_74" class="wp-caption alignleft" style="width: 175px"><img class="size-full wp-image-74" title="Ivan Vilela, violeiro e pesquisador" src="http://prosacaipira.com.br/wp-content/uploads/2010/01/ivan_vilela.jpg" alt="Ivan Vilela" width="165" height="105" /><p class="wp-caption-text">Ivan Vilela, foto divulgação.</p></div>
<p><strong>Ivan Vilela</strong>: não, não corre. Por várias razões. Antes de ser um instrumento rural no Brasil, a viola foi um instrumento urbano tocado em cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Recife. São Paulo, enquanto cidade, só passa a ganhar a notoriedade de metrópole no último quartel do século dezenove. Desta maneira não é totalmente correto pensarmos que a viola é um instrumento puramente caipira. A viola, no Brasil tem raízes urbanas e é também um instrumento da cultura nordestina.</p>
<p>Ponho-me a imaginar que a viola “caipira” ganhou a notoriedade que tem por ser a música dos caipiras a primeira a ser gravada a partir de 1929. A música dos caipiras, acreditamos, se estruturou enquanto tal a partir do século dezenove, não obstante ter algumas de suas bases ainda no século dezesseis.</p>
<p>No Brasil criamos uma dicotomia entre o tradicional e o não tradiconal. Tocarmos outros tipos de música na viola não a fará perder o sotaque caipira, simplesmente ampliará o seu espectro de uso e possibilidades. Na cultura nada se perde, as coisas se transformam. É ingênuo pensarmos que as Folias de Reis de setenta anos atrás eram mais autênticas que as de hoje.  A cultura popular existe enquanto manifestação espontânea de um sentir do povo. Não dá para dizermos que os sentimentos de devoção dos camponeses de 1940 eram mais puros que os dos camponeses de 2010.</p>
<p>A técnica desenvolvida na viola pela música dos caipiras é única e não se perderá. É uma técnica sofisticada e cheia de recursos. É ponto de passagem quase obrigatório a todos que querem se ingressar nos meneios do instrumento.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: você sempre esteve intimamente ligado com o estudo e a pesquisa, neste cenário, como se formou o violeiro Ivan Vilela? Quais são suas principais referências?</p>
<p><strong>Ivan Vilela</strong>: cresci em um bairro simples de uma cidade do interior de Minas. No interior a periferia é o que é mais perto do campo. Assim, tive a oportunidade de desde criança assistir a algumas festas de Folias de Reis, de Catiras. Meu mundo na infância permeava o urbano e o rural. Este valor dado à cultura popular me foi ensinado desde pequeno, em casa e na rua. Com 20 anos ganhei uma viola de minha irmã. Nesta época, início dos anos oitenta, eu estava conectado ao movimento de música regional que abarcava artistas de diversos estados brasileiros e da América Andina.</p>
<p>Em 1987 comecei a fazer pesquisas de campo. Conheci o antropólogo Carlos Rodrigues Brandão e viajamos juntos por 10 anos. Com 26 anos resolvi cursar Composição Musical, na UNICAMP. Do meio para o final do curso comecei a compor uma ópera caipira. Na hora de escrever os arranjos e composições, percebi que não sabia como escrever para a viola. Juntei então o instrumento e comecei a aprende-lo tirando músicas de violeiros da época: Tião Carreiro, Almir Sater, Tavinho Moura, Renato Andrade. Estes foram os que mais me cativaram na época.</p>
<p>A partir daí a viola foi me tornando e eu tornando ela. Isto foi  em 1993. Sempre ouvi música. Desde pequeno, como caçula de uma grande família, fui iniciado pelos irmãos. Ouvi e ouço da mpb ao rock, da música sertaneja autêntica à música clássica. Na época da faculdade, além de aulas de instrumento que dava, tocava na noite em Campinas e região.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: nos últimos anos, principalmente após a década de 70, a música caipira sofreu duros golpes e perdeu espaço para o chamado &#8220;Jovem Sertanejo&#8221;. Como você avalia a presença e a produção da música caipira nos dias de hoje?</p>
<p><strong>Ivan Vilela</strong>: o gosto pelas raízes tem voltado. Já estamos ficando cansado de trocarmos nossa própria cultura por uma cultura de consumo, sazonal e sem significado. O próprio fato de a viola estar voltando às cenas é um indicativo disto.</p>
<p>As majors (grandes gravadoras) já não tem a força que tinham, muito embora a mídia radiofônica e televisiva esteja mais massacrante e ostensiva com a prática do jabá (jabaculê, termo tupi que significa oferenda; propina dada aos apresentadores de programas de rádio e televisão para que divulguem determinados artistas). Os pequenos selos e os pequenos espaços chegaram para ficar. Talvez esta música nunca junte multidões, mas certamente terá um público fiel, sempre.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: se pudesse arriscar um palpite, o que diria sobre o futuro da música caipira?</p>
<p><strong>Ivan Vilela</strong>: sempre existirá. O sentimento de raizes, o enraizamento faz parte da nossa vida. Somos enraizados desde que nascemos numa família e convivemos num grupo. Simone Weil dizia que este sentimento de raiz nos traz valores do passado e nos dá pressentimentos para o futuro.</p>
<p>A música caipira sempre existirá nas suas mais variadas formas: autêntica, renovada, transformada, transfigurada, mas sempre música caipira. Lembremos que desde que começou a ser gravada a música caipira tomou cores diferentes, já teve violinos, tubas, triângulos, flautas, coros. O padrão violão e viola ganhou corpo nos anos de 1940 e se fortaleceu nas duas décadas seguintes.</p>
<div id="attachment_75" class="wp-caption alignright" style="width: 180px"><img class="size-full wp-image-75" title="Ivan Vilela, violeiro e pesquisador" src="http://prosacaipira.com.br/wp-content/uploads/2010/01/ivan_vilela_2.jpg" alt="ivan_vilela_2" width="170" height="168" /><p class="wp-caption-text">Ivan Vilela, foto divulgação.</p></div>
<p>As vezes corremos o risco de achar que este padrão não pode ser mudado e nos esquecemos que ele foi fruto de mudanças. Mais que na forma, é importante pensarmos na essência do que é a música caipira: uma canção que transmite valores a partir das histórias que conta. É essa força que fez com que os migrantes rurais que foram para a cidade grande não perdessem seus valores de origem, nem sua cultura, pois através da radiodifusão eram diariamente lembrados pelas belas histórias cantadas pelas duplas dos valores que viviam em seus corações. É certo também que música caipira tem viola quase sempre. Não podemos nos esquecer que ela é o maior guarda chuva de ritmos que temos na música brasileira. Desconheço algum segmento que abrigue tantos ritmos diferentes como a música caipira.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: está trabalhando em algum novo projeto (disco ou dvd)?</p>
<p><strong>Ivan Vilela</strong>: estou agora finalizando meu doutorado que versa sobre uma história social da música caipira. Neste ano sai o novo CD da Orquestra Filarmônica de Violas e do trio Suzana Salles, Lenine Santos e eu.</p>
<p>Acabei de receber (em novembro/2009) meu novo cd “Do Corpo à Raiz”, que ainda não teve show de lançamento. É uma trilha que compus para o corpo de baile Dança Vida, de Ribeirão Preto. Ele é formado por jovens da perifeira da cidade. Todos são filhos de migrantes rurais, mas não tem nenhuma relação com a cultura de seus pais. A Funarte financiou o projeto a partir do Prêmio Interações Estéticas, e eu pude levar aos jovens cursos de Catira, danças da Folia de Reis, Moçambique e Congado, bem como aproximar os jovens do universo de seus pais. A trilha foi sendo composta ao longo dos laboratórios que fazíamos. Contei com a valiosa ajuda do meu aluno de viola da USP, Anderson Baptista.</p>
<p>Crédito das imagens &#8211; <a title="Ivan Vilela" href="http://www.ivanvilela.com.br" target="_blank">www.ivanvilela.com.br</a></p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p>Para conhecer mais detalhes sobre o trabalho desenvolvido por Ivan Vilela, acesse <a title="Ivan Vilela" href="http://www.ivanvilela.com.br" target="_blank">www.ivanvilela.com.br</a></p>
<p>Conheça também, o ensaio &#8220;A Viola&#8221; escrito por Ivan Vilela &#8211; <a title="Ensaio sobre a Viola" href="http://ensaios.musicodobrasil.com.br/ivanvilela-aviola.htm" target="_blank">http://ensaios.musicodobrasil.com.br/ivanvilela-aviola.htm</a></p>
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		<title>Chico Lobo, violeiro do mundo</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 18:39:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Caipira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Chico Lobo é violeiro, folclorista, cantador, compositor, produtor musical, colunista, escritor, apresentador de TV e Rádio. Artista premiado, já apresentou os acordes de sua viola caipira nos palcos do exterior. Tive a oportunidade de prosear com este simpático e solícito violeiro que defende nossa cultura caipira com alma e coração.
Prosa Caipira: voltando ao início da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-58" title="Chico Lobo, violeiro do mundo" src="http://prosacaipira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/chico_lobo1.jpg" alt="Chico Lobo, violeiro do mundo" width="167" height="120" />Chico Lobo é violeiro, folclorista, cantador, compositor, produtor musical, colunista, escritor, apresentador de TV e Rádio. Artista premiado, já apresentou os acordes de sua viola caipira nos palcos do exterior. Tive a oportunidade de prosear com este simpático e solícito violeiro que defende nossa cultura caipira com alma e coração.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: voltando ao início da sua carreira, quando você decidiu se dedicar exclusivamente a viola como profissão? Como aconteceu isso?</p>
<p><strong>Chico Lobo</strong>: a viola esta na minha vida desde cedo. Nunca toquei outro instrumento a não ser viola. Comecei a aprender quando tinha doze anos e meu pai me deu minha primeira viola. Quando mudei para Belo Horizonte em 1981 eu entrei num grupo de danças folclóricas chamado Aruanda, uma grande escola pra mim. Nele eu cuidava dos arranjos de viola e tocava viola, paralelamente eu fiz o curso de Educação Física na UFMG.</p>
<p>Em 1990 saí do grupo e comecei carreira solo, enquanto eu trabalhava na área de Educação Física com Psicomotricidade e Pedagogia do Movimento. Em 1992 eu sofri um acidente de carro e quebrei a mão esquerda. Tive que fazer cirurgia e colocar pino. Fiquei 3 meses sem poder tocar. Quando voltei com os movimentos da mão (isso era dezembro de 1992,) pedi demissão de meus empregos e fui atrás do sonho de viver exclusivamente de música, da viola. Em 1994 conheci Angela Lopes que viria a ser a minha produrtora minha grande guerreira e minha esposa. Em 1996 lancei meu primeiro CD o &#8220;No Braço Dessa Viola&#8221; que foi finalista do Prêmio Sharp como Revelação da Música Regional Brasileira e logo em 1997 fui convidado para fazer 10 shows na Itália. Assim começava a se consolidar minha carreira de violeiro.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: qual foi um momento inesquecível na sua carreira de violeiro?</p>
<p><strong>Chico Lobo</strong>: tiveram vários momentos. Por exemplo quando fui ao teatro Municipal do Rio indicado ao prêmio Sharp. Minha ida a Itália para shows. Quando lancei meu CD &#8220;Reinado&#8221; em 2000 que teve participação de Pena Branca, Borguethinho, Caju e Castanha e lotamos o grande Teatro do Palácio das Artes em BH. Quando gravei meu DVD &#8220;Viola Popular Brasileira&#8221; que tenho o orgulho de ter sido o primeiro DVD artístico de viola lançado no mercado. Quando me apresentei no Canecão ao lado de grandes nomes no aniversário de 25 anos da Gravadora Kuarup.</p>
<p>Mais recentemente quando pude levar meu mestre Sô Nelson Jacó (falecido esse ano) e sua filha para shows ao meu lado em Portugal. Quando conquistamos o espaço para apresentar um programa de TV o &#8220;Viola Brasil&#8221; e que já vai pro sétimo ano. Tantos e tantos momentos, tantos shows.</p>
<p>Ah! tem um que não posso esquecer quando conheci Renato Andrade na minha cidade são João Del Rei, eu tinha então 16 anos ele almoçou na minha casa nos tornamos amigos e posteriormente quando mudei pra BH frequentei a casa dele.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: no Brasil, nas últimas décadas, houve uma migração maciça da população rural para os centros urbanos, em contrapartida a tecnologia invadiu os campos. Neste cenário de transformações, como você analisa o caminho percorrido pela música caipira nos últimos 50 anos até os dias de hoje?</p>
<p><strong>Chico Lobo</strong>: passou por maus momentos. A nossa música chamada de raiz caipira perdeu muito espaço pra modernidade. Te confeço que eu tenho uma opinião que a viola só resistiu, não por causa dos artistas, mas porque ela se manteve viva nas mãos dos mestres do interior, cumprindo as funções das Folias de Reis, Festas São Gonçalo, e tantas mais. Aí artistas que buscavam cada vez mais reconhecer esse Brasil tiveram a possibilidade de preservar e divulgar essa cultura.</p>
<p>Hoje temos a chamada música sertaneja moderna e a chamada música de raiz. Agora aqui vai uma puxada de orelha. Temos muitos artistas, violeiros que transitam perigosamente numa linha muito fraca entre uma e outra. Por uma nescessidade de ganharem mercado se vestem igual os sertanejos, com chapéu de aba toda torta, cinto de fivela e bota de biqueira. Cantando com um exesso de vibrato. Não precisa disso não!</p>
<p>Quando se tem um trabalho sério e se acredita o espaço aparece. E esse espaço está cada vez maior de novo para a viola e pra essa cultura raiz brasileira que tanto gostamos. Hoje a modernidade nos ajuda a gravarmos bom CDs, a nos relacionarmos com o mundo via internet. Vamos fazer bom uso da modernidade pra cada vez mais colocar a viola e a música feita na viola no lugar que realmente merece!</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: em sua opinião, quem são os artistas que puxam a fila da cultura caipira hoje?</p>
<p><strong>Chico Lobo</strong>: essa pergunta é injusta. Não se pode citar um ou outro artista que puxe fila. Todo aquele que acredita e que faz música boa na viola é um grande soldado do bem-querê!</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: falando sobre sua excelente produção musical, quais os temas e artistas que te inspiram?</p>
<p><strong>Chico Lobo</strong>: eu falo de amor, amizade, cumpadricidade, fé, sentimentos que fazem falta nos dias de hoje! Eu uso muito da vida simples do interior como metáfora pra espressar o que sou. Adoro Pena Branca, meu pai Aldo Lobo, as folias de Reis, Banda de Pau e Corda.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: fale um pouco sobre a experiência de levar a cultura caipira para os palcos do exterior.</p>
<p><strong>Chico Lobo</strong>: é gratificante poder levar a nossa viola, nossa cultura brasileira de raiz pro exterior. Hoje acredito muito que há um movimento de reação a uma gobalização que quer colocar tudo num grande liquidificador. Há um movimento que quer mergulhar na identidade cultural da cada povo. E a nossa viola caipira é a cara de nosso Brasil, da nossa aldêia.</p>
<p>Tenho sido muito bem recebido, são duas temporadas na Itália 1995 e 2005, uma no Chile no Canadá. E já são 4 anos <img class="size-full wp-image-53 alignright" title="chicolobo" src="http://prosacaipira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/chicolobo.jpg" alt="chicolobo" width="195" height="243" />consecutivos em Portugal, de 2006 a 2009. E é bonito, pois mais do que fazer show em Portugal estou fazendo parceria, para mim é a palavra do momento, parceria. Conheci a cultura da Viola Campaniça com Pedro Mestre, jovem violeiro que hoje é fundamental na divulgação da viola campaniça do alentejo. De nossos encontros surgiu o CD &#8220;Encontro de Violas&#8221; (inédito no mundo), primeiro CD que apresenta o encontro de uma viola portuguesa com nossa viola caipira. Mais do que um encontro musical é um encontro de culturas. Lançamos uma tiragem aqui no Brasil e outra em Portugal todas as duas esgotadas tamanho o interesse. É maravilhoso essa troca.</p>
<p>Recomendo a todos que tiverem possibilidades de se apresentar no exterior de tentar algo mais, tentar um relacionamento mais profundo com artistas e a cultura de fora, pois isso só abre cada vez mais mercado pra nossa cultura. Para o ano que vem já está sendo fechado meu retorno a Portugal e a vinda de Pedro Mestre novamente ao Brasil.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: e quanto as novidades, você está trabalhando em algum novo projeto?</p>
<p><strong>Chico Lobo</strong>: estou em estúdio preparando meu próximo CD de carreira, que está sendo feito com muito cuidado. Será um CD que eu aproximo a viola dos grandes poetas e artistas da nossa música popular brasileira e esses artistas se aproximam do nosso universo da viola. Será um trabalho em parcerias, eu fiz as melodias e eles me mandaram letras exclusivas pra esse CD. São parcerias com Zeca Baleiro, Chico César, Vitor Ramil, Verônica Sabino, Arnaldo Antunes entre outros. Estou muito feliz com esse projeto!</p>
<p>Pra encerrar, faço um convite a todo violeiro que vier pra nossas bandas entrar em contato com minha produção pra podermos agendar a participação em meu programa de TV o &#8220;Viola Brasil&#8221; &#8211; (31) 3459.8026 / 9954.6580 / e-mail violabrasil@terra.com.br</p>
<p>Tem também meu programa na Rádio Inconfidência de Belo Horizonte, &#8220;O Canto da Viola&#8221;, vai ao ar todo domingo às 7hs na FM e as 13hs na AM e pode ser acompanhado pelo site da rádio <a title="Radio Inconfidência" href="http://www.radioinconfidencia.com.br" target="_blank">www.radioinconfidencia.com.br</a></p>
<p>Um grande abraço a todos e viva nossa viola caipira brasileira!</p>
<p>&#8212;&#8211;<br />
Para conhecer mais sobre Chico Lobo acesse <a title="Chico Lobo" href="http://www.chicolobo.com.br/" target="_blank">www.chicolobo.com.br</a></p>
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		<title>João Araújo e o som da viola urbana</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 15:29:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Zé Caipira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Mineiro com muito orgulho, apaixonado por música e viola. Assim é João Araújo, um desses bravos artistas que lutam para manter viva nossa autêntica cultura brasileira. Confira a prosa gostosa que tivemos.
Prosa Caipira: quem é João Araújo?
João Araujo: João Araújo é mineiro: músico, produtor, cronista e sobretudo um apaixonado pela cultura brasileira. Fundador do trabalho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mineiro com muito orgulho, apaixonado por música e viola. Assim é João Araújo, um desses bravos artistas que lutam para manter viva nossa autêntica cultura brasileira. Confira a prosa gostosa que tivemos.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: quem é João Araújo?<br />
<strong>João Araujo</strong>: João Araújo é mineiro: músico, produtor, cronista e sobretudo um apaixonado pela cultura brasileira. Fundador do trabalho de pesquisa e preservação músico-cultural &#8220;Viola Urbana&#8221;, é apenas mais um brasileiro que tenta fazer sua parte em prol do nosso país, utilizando as dádivas que Deus lhe deu, que é a de ser um artista.</p>
<p><strong><br />
Prosa Caipira</strong>: fale um pouco sobre o projeto Viola Urbana. O que é? Como nasceu?<strong><br />
João Araújo</strong>: estou tentando aprender a tocar viola, violão, cavaquinho e outras coisas já há 30 anos. Comecei atividade profissional somente há cerca de 10 anos, fazendo principalmente &#8220;voz e violão&#8221; na noite belo-horizontina, até 2004 quando surgiu a oportunidade de coordenar um projeto de primeira linha, patrocinado via Lei Rouanet.</p>
<p>Nesta época, durante a preparação de meu espetáculo de comemoração de 25 anos de aprendizado, percebi que as músicas que mais tinham marcado minha vida eram com viola, ou sobre viola. E ainda que não era um repertório tradicionalmente &#8220;caipira&#8221; como se rotula hoje em dia, mas principalmente de carreiras de artistas que foram muito influenciados pelo instrumento, mesmo vivendo nas cidades.</p>
<div id="attachment_49" class="wp-caption alignleft" style="width: 171px"><img class="size-full wp-image-49" title="Violeiro João Araújo" src="http://prosacaipira.com.br/wp-content/uploads/2009/11/violeiro_joao_araujo2.jpg" alt="Foto divulgação. Crédito: Helen Lopes" width="161" height="150" /><p class="wp-caption-text">Foto divulgação. Crédito: Helen Lopes</p></div>
<p>Sendo eu mesmo uma pessoa nascida na capital e percebendo que o assunto ainda não tinha sido muito divulgado por este ângulo, resolvi aprofundar a pesquisa e fazer uma homenagem ao instrumento mais importante da nossa cultura através da observação admirada de quem vive nas cidades. Dividido em segmentos, um encarte de texto com o resumo da pesquisa acompanha as releituras das obras musicais em dois álbuns e um DVD, até agora &#8211; o objetivo é de chegar ao terceiro álbum, pois novos segmentos vão surgindo, graças ao trabalho de pesquisa, ao contato e à ajuda de vários outros profissionais da viola atual. A íntegra da pesquisa, assim como detalhes de todos os trabalhos que produzo ficam à disposição no portal <a title="Viola Urbana" href="www.violaurbana.com" target="_blank">www.violaurbana.com</a></p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: sobre suas produções, como surgiu a idéia de produzir o álbum Imaginário Roseano? Que é uma homenagem musical a Guimarães Rosa.<br />
<strong>João Araújo</strong>: sou neto de um antigo &#8220;violeiro dos batuques&#8221; da cidade de Cordisburgo / MG, sobre quem estou escrevendo um livro, atualmente. Lá é também terra natal de Guimarães Rosa. Como leitor e admirador desse grande escritor desde a minha adolescência, quando descobri que ele usava várias vezes a linguagem de meus parentes em suas obras, há muito tempo percebia uma relação entre seus livros e algumas músicas do repertório regional brasileiro  &#8211; que é minha maior influência na música.</p>
<p>Com o advento do centenário de nascimento de Guimarães Rosa, e a ajuda do violeiro Rodrigo Delage e do maestro e violonista Geraldo Vianna (outros dois malucos pelas coisas do sertão mineiro), resolvemos registrar essa ideia em disco, mesmo sem patrocínios e apoios.</p>
<p>Após conseguir a generosidade de Rolando Boldrin, Paulo Freire e Téo Azevedo &#8211; homenageados e participantes especialíssimos &#8211; não tinha outro jeito senão finalizar o melhor possível o projeto. E valeu a pena, é uma obra magnífica, única. E traz no encarte uma indicação de leitura de Guimarães Rosa para cada música relida com arranjos especialíssimos. Uma contribuição nossa à cultura brasileira, tentando unir literatura e música contemporânea (viola caipira, violão clássico, voz popular, de MPB).</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: em sua opinião, qual será o futuro da viola caipira? Dá pra arriscar um palpite?<br />
<strong>João Araújo</strong>: pelo que acompanho bem de perto, desde 2004, a viola &#8220;caipira&#8221; não existe mais. Já o instrumento &#8220;viola de 10 cordas&#8221; é um vencedor incansável, que a cada dia está mais forte. Está nas mais variadas vertentes da música brasileira, conquistando cada dia mais espaços para além da cultura caipira. Já é conhecida, no mundo inteiro, como &#8220;viola brasileira&#8221;.</p>
<p>Desde que chegou ao país, no início da nossa colonização, conquistou a todos e teve que vencer muitas batalhas. Nas mãos dos Jesuítas, arrebatou não só os índios mas todos os habitantes do Brasil da época, se tornando o principal instrumento de acompanhamento musical.</p>
<p>Quando os jesuítas foram perseguidos, no mundo inteiro, no século XVIII, fugiram para os grotões do Brasil, onde ficaram mais livres do dominío de Portugal (leia-se &#8220;Marques de Pombal&#8221;). E levaram consigo todas as brasilidades que hoje são chamadas de &#8220;arcaicas&#8221; (língua, folguedos, tradições&#8230; e a viola, claro!). Não, ela não nasceu no interior: era o instrumento da Côrte, na época &#8211; e que fugiu para longe por necessidade!</p>
<p>A viola se difundiu desde então pelo país inteiro em lombo de burro, pelos bandeirantes, tropeiros, tocadores de gado, etc. Como um encantamento, em cada lugar que era tocada alguém sempre queria ouvir mais, mesmo depois que o violeiro seguia viagem levando sua companheira inseparável&#8230; Foram feitas, então, diversas versões, com o material que se conseguia nas redondezas, na época: troncos de árvore, tripas de animal&#8230; O importante é que ela resistiu a tudo.</p>
<p>Trouxeram outro instrumento parecido, de Portugal, para ocupar o lugar dela, mas não teve jeito: a referência era automática &#8211; e por isso só aqui temos até hoje &#8220;violão&#8221; (uma viola grande?) e não uma &#8220;guitarra&#8221;. A viola, como a conhecemos, agora só existe aqui no Brasil.</p>
<p>Ela resitiu a tudo, e creio que continuará sempre resistindo. Ainda mais agora, que vejo que a cada dia está sendo mais respeitada.</p>
<p>Creio que atingirá seu ápice quando Minas Gerais resolver assumi-la como instrumento oficial. Com todo o respeito aos paulistas e até aos goianos e os outros &#8211; a viola hoje em dia é tocada por todo o Brasil &#8211; não é possível falar de viola sem citar seus maiores executantes, historicamente. E esses são, na maioria, nascidos em Minas Gerais. Portanto, cabe a Minas Gerais assumir a função de intensificar a valorização e a difusão desse que é o mais brasileiro de todos os instrumentos, e o mais importante culturalmente.</p>
<p><strong>Prosa Caipira</strong>: pra encerrar, como você analisa a música caipira nos dias de hoje?<br />
<strong>João Araújo</strong>: tenho um compromisso pessoal com a autenticidade, com a verdade. E também com o bom senso, com a complacência entre os filhos do mesmo Deus. Querer ver o mundo de hoje em dia como se ele ainda fosse igual ao passado, para mim é querer negar a verdade da vida, do mundo. Acho que a cultura caipira tem que ser louvada, respeitada, preservada e difundida às novas gerações. Mas tenho críticas severas à artistas que, por exemplo, nasceram em famílias ricas da cidade ou que durante sua vida artística se dedicaram a outras culturas (como o Rock-and-Roll) e que depois de um tempo passam a defender, energicamente, os &#8220;valores caipiras de raiz&#8221;. Normalmente, esses são os que mais se levantam contra as naturais novidades evolutivas da viola, aos novos valores, às novas ideias.</p>
<p>Minha opção foi a de falar daquilo que posso falar com autenticidade: a influência da viola na música popular brasileira. Sofro (ainda) algumas perseguições, assim como outros que usam viola no choro, no samba e até em ritmos &#8220;não nacionais&#8221; como o jazz e o rock. Me fio nas palavras de Tião Carreiro: &#8220;música só tem dois tipos: boa e ruim!&#8221;. E penso que o tempo mostrará que minha intenção sempre será de respeito e de homenagem &#8211; e ainda de levar cultura brasileira para novos ouvintes, novas gerações de brasileiros, o máximo que conseguir.</p>
<p>Pra mim, não adianta querer dar uma de &#8220;caipira radical&#8221; e ao mesmo tempo usar diariamente a rede mundial de computadores, os celulares, etc&#8230; O mundo não pára, pra ninguém. E a lição que vejo na história da viola é a de enfrentar todas as adversidades, tomar novas formas até, mas seguir em frente, em paz. Obrigado!</p>
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