dez 17 2009

Histórias e causos da música caipira

Publicado por Zé Caipira na categoria A Música Caipira

O mundo caipira sempre foi rodeado de causos do outro mundo. Com os violeiros a história não foi diferente.

Existem inúmeras histórias de violeiros que, para dominarem todos os acordes da viola, venderam a alma para o “bicho-ruim”, outros tantos fizeram promessas a São Gonçalo, batismos de viola, simpatias com cobras venenosas. Ainda hoje não é difícil encontrar um violeiro que traga dentro da viola um guizo de cascavel.

Todas estas histórias alimentaram, e continuam alimentando, o mundo da música caipira. Renato Andrade, o violeiro dos mil acordes, falecido em 2005, é o que melhor personifica a mística que envolve a viola caipira. Renato alimentou muitas histórias, com seu humor característico. Em suas apresentações contava causos em que se encontrou com o coisa-ruim, porém, todos eles terminavam com um chamado a Nossa Senhora, que lhe salvava na hora “H”.

Andrade contava que sua fama de “violeiro que fez um pacto com o dito-cujo” começou quando jovem, ainda em Abaeté, foi tocar na casa de um fazendeiro. “A viola não tinha estojo e eu a deixei virada para cima. Um rato passou pelas cordas e ficou preso nelas, fazendo com que soassem no meio da noite. O pessoal saiu dizendo que a viola do Renato tocava sozinha”.

Almir Sater, quando interpretou o violeiro Trindade na novela Pantanal da rede Manchete, em 1990, levou a mística caipira para a televisão brasileira. Seu personagem detinha grande intimidade junto ao cramunhão e sua viola tocava “sozinha” pelas noites do pantanal. Para colocar um pouco mais de lenha na fogueira, o próprio Almir diz que “a viola não é apenas um instrumento, é uma concepção”.

Os causos correram as estradas do Brasil no lombo de burros e mulas junto com os tropeiros e até hoje alimentam os mistérios e sonhos do cantar caipira.

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Bibliografia
Nepomuceno, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Ed. 34, 1999

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