out 30 2009
Pagode
“nasceu em Três Corações aquele que é o rei da bola
rei do pagode nasceu no braço desta viola”
(trecho da música “A Majestade, o Pagode” de Tião Carreiro e Lourival dos Santos)
Assim cantou Tião Carreiro, sem falsa modéstia. Nem deveria, até porque não há nenhum exagero em afirmar que Tião Carreiro está para a viola caipira assim como Pelé para o futebol.
O pagode nasceu na década de 50 quando Tião Carreiro, com sua habilidade inquestionável, começou a criar e experimentar novas maneiras de tocar a viola junto com o violão. Misturando o recorte do catira lento com o recortado mineiro mais expressivo Tião conseguiu fazer a união perfeita entre a viola e o violão dentro de uma mesma canção. Primeiro gravou acordes de violão e em seguida os mesmos acordes, de trás para frente, na viola. Assim nascia um novo ritmo que contagiou o mundo caipira.

Tião Carreiro
Em uma rádio na cidade de Maringá (PR), Tião Carreiro gravou uma fita com o novo ritmo que havia criado. Em São Paulo apresentou sua criação para Lourival dos Santos e Teddy Vieira (consagrados compositores caipiras). Ao ouvir a fita Lourival disse encantado: “isso parece um Pagode”. Assim foi batizado o gênero caipira criado por Tião Carreiro. Na época, em Minas Gerais, a palavra pagode significava festa animada ou baile.
O primeiro pagode gravado foi “Pagode em Brasília”, de Teddy Vieira e Lourival dos Santos (“Quem tem mulher que namora, quem tem burro empacador…”). Na mesma época estava sendo construída a cidade de Brasília, daí a homenagem a capital federal na letra da música.
O bom pagode exige grande habilidade do tocador no ponteio da viola, que é acompanhado no contratempo pelo violão. Sua estrutura é construída na associação de idéias em que “uma coisa puxa a outra”. Tião Carreiro, com seu toque inconfundível e letras inteligentes, foi o grande criador e mestre do pagode.
Alguns pagodes que entraram para a história da música caipira: Pagode em Brasília (Teddy Vieira e Lourival dos Santos), Nove e Nove (Teddy Vieira, Tião Carreiro e Lourival dos Santos), Cavalo Enxuto (Moacyr dos Santos e Lourival dos Santos).
Em tempo, vale destacar que o pagode caipira nada tem a ver com o pagode desenvolvido no Rio de Janeiro. O pagode carioca surgiu bem depois, na década de 80, por influência do samba.
Música “A Majestade, o Pagode”
Créditos do vídeo – http://www.youtube.com/user/finimtev
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Bibliografia
Sant’Anna, Romildo. A Moda é Viola: ensaio do cantar caipira. São Paulo: Arte & Ciência; Marília, SP: Ed. Unimar, 2000.
Nepomuceno, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Ed. 34, 1999.
Na Internet
http://www.tiaocarreiro.com.br
http://www.boamusicaricardinho.com
3 Comentários sobre este texto
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muito bom o site…parabens amigo…poste imformaçoes de como ver as outras musicas da capa deste CD…essa musica é muito linda!!a majestade é mesmo PAGODE!!
peço q poste mais videos como estes!
Rayuri, obrigado pelas palavras companheiro!