mar 21 2011
Ramiro Vióla, compositor e violeiro
Confira o bate-papo gostoso que tivemos sobre sua trajetória…
Prosa Caipira: o senhor tem influência da cultura caipira desde que nasceu na fazenda Boa Vista em Botucatu. Como foi sua “gestação” como cantor e compositor?
Ramiro Vióla: eu nasci em meio ao maravilhoso mundo autêntico da Musica Sertaneja de Raiz. Desde que me conheci por gente já tive a influência de meu Pai “Seu Eduardo”, meus avós paternos seu “Jesuíno” e “Nhá Tudinha” e os meus tios e tias irmãos de meu pai, todos nascidos e criados na Região de Pardinho e Botucatu. Na casa de meu avô Jesuíno todos tocavam e cantavam modas de viola e faziam festas em todos os finais de semana, tudo era motivo de cantoria e rodas de Viola que atravessavam noites e dias conforme a ocasião. Meu avô Jesuíno até brincava muito com a história de que, netos e netas do sangue dele ao invés de chorar tinham que cantar na hora do nascimento. Eu não cantei ao nascer mas ao lado de minha casa existia um grande galinheiro onde meu pai criava galos da raça “Índios” e meu pai e minha mãe sempre me disseram que justamente na hora que eu vim ao mundo em 25 de abril de 1953 as 6 horas da manhã lá no pé da serra de Botucatu um galo Índio “cantô” e meu pai disse contente & feliz: “esse minino sái cantadô”.
E daí pra frente a minha trajetória, até hoje, e espero ainda por muito tempo, é dedicar-me apaixonadamente por tudo que se refere à Moda de Viola e sua história assim como também pelos seus compositores, intérpretes, duplas e seus personagens. Atualmente meu acervo musical (particular) ja passou de cem mil músicas, sendo 99,9% somente de musicas de raiz, pois isso é minha vida, eu tenho um compromisso com a nossa Musica Sertaneja de Raíz, e é ela e a viola que me abriram e abrem as portas para que meu humilde trabalho seja conhecido em grande parte do mundo.
Só tenho a agradecer à Deus e toda a influência que tive de meu pai, meu avô e meus tios, eles infelizmente não tiveram a oportunidade que cheguei alcançar, mas tenho certeza que de onde eles estiverem estarão sempre me aplaudindo e me abençoando, pois conseguiram através de sua semente me fazer o que sou hoje, “O representante de todos eles”, tenho grande orgulho disso, apesar das dificuldades, discriminação e preconceito, que muitas vezes cruzam meu caminho. Eu os enfrento com muita firmeza e Fé em Deus, e como resposta o resultado é meu trabalho honesto, e com muito amor e dedicação vou ultrapassando as barreiras e conquistando meu espaço dentro da história musical Caipira de meu País e além fronteiras.
Prosa Caipira: musicalmente falando, quais foram as duplas que te inspiraram a tocar viola e compor?
Ramiro Vióla: depois de meu Pai, lá com seu jeitinho simples de tocar e pontear uma viola, ao qual foi através dele que cheguei a assistir em circos as grandes duplas nos finais dos anos 50 e início dos anos 60. Me lembro que nós morava-mos na Fazenda Santo Antônio, município da Itatinga à 30 KM de Botucatu, e meu pai me levava para assistir as duplas que vinham se apresentar nos circos que lá se instalavam.
Me lembro perfeitamente de quantas vezes assisti as duplas: Zé Carreiro & Carreirinho, Tonico & Tinoco, Zé Fortuna & Pitangueira, Zilo & Zalo, Vieira & Vieirinha, Jacó & Jacozinho, Tião Carreiro & Pardinho, Cascatinha & Inhana e tantos outros renomes maravilhosos da nossa moda raiz, aos quais depois de muitos anos tive o grande prazer em reencontrá-los e me tornar amigo da maioria deles e de seus familiares. A musica raiz, seus artistas autênticos e o dom que Deus me deu são minha fonte de inspiração para passar em versos todo meu grande carinho e saudade dos tempos que não voltam mais. Tudo está guardadinho aqui dentro de meu coração Caipira, e na medida do possível vou me expressando e colocando em minhas composições.Prosa Caipira: a arte de compor está presente desde o início da sua carreira?
Ramiro Vióla: sim, desde que comecei a dar meus primeiros passos musicais ainda com oito para nove anos de idade. Iniciei então a cantar e tocar viola e violão, aí eu senti que poderia compor, não me peçam para explicar de onde vem a inspiração que nem eu sei! Só sei que quando eu penso num tema ela vem e eu escrevo e as minhas modas já saem prontinhas tudo como esta em meus discos, até os arranjos ja vêm com elas! Eu particularmente acho que isso chama-se “Força Divina”, só Deus sabe como dizia meu eterno mestre Carreirinho.
Prosa Caipira: quais foram as músicas que o senhor teve maior prazer em compor?
Ramiro Vióla: maior prazer eu não saberia dizer, mas todas elas tem um grande significado para mim, mas dentre as minhas composições a que eu poderia citar aqui é a moda “Violeiro Matuto” que esta em meu primeiro CD com o Pardini que gravamos em 2002. Essa moda era uma moda de viola e dentro do estúdio de gravação eu mudei ela para balanço e coloquei o estribilho e os arranjos, e aproveitando a sua ex melodia fiz a moda “Caboclo Infeliz” que esta em meu CD gravado em 2008.
Prosa Caipira: como foi a inspiração para compor B.O. do Ferreirinha?
Ramiro Vióla: essa moda é muito engraçada a sua concepção. Foi que numa noite de ensaio aqui em minha casa apareceu meu grande amigo, o Dr. José Simião, que é o presidente da Construção da Igreja do “São Bom Jesus do Ribeirão Grande”, lá no Município de Pardinho, pertinho de onde nasceu meu Pai. Essa Igreja situa-se nos campos do Espraiadinho citado na moda Ferreirinha composta por Carreirinho. A festa do padroeiro se aproximava, pois estava chegando o dia 06 de Agosto de 2003 dia de Bom Jesus, e o Dr. Zé Simião veio justamente me convidar para uma apresentação da minha dupla nesta festa. Como nos anos anteriores à 2003 eu já fazia parte como colaborador na organização dos convites para as duplas se apresentarem nas festividades, então pensamos em dar continuidade na moda do Ferreirinha a partir do Verso que diz.. “Deixei na Porta da Igreja e fui chamar o Delegado…”
Então dei seqüência na história e quando o Dr. Simião chegou em sua casa dali uma meia hora eu liguei pra ele e cantei por telefone a moda “B-O DO FERREIRINHA”, coloquei seu nome também como meu parceiro na composição que foi uma forma que achei de também homenageá-lo pelo seu grande empenho em manter viva aquela nossa fabulosa re-construção da Igreja do Bom Jesus do Ribeirão Grande que data-se bem antes da Cidade de Pardinho e Botucatu, ao qual eu recomendo a todos para que conheçam e participem das festividades que lá acontecem todos os anos no dia 6 de agosto. Aí gravamos a moda num CD e doamos a sua renda para a compra de materiais de construção para a Igreja do Bom Jesus do Ribeirão. Tenho outras modas que compus e que foram gravadas também para doação para a re-construção da Igreja do Bom Jesus do Ribeirão.
Prosa Caipira: hoje em dia, quais duplas ou artistas o senhor destaca na defesa e manutenção da autêntica música caipira de raiz?
Ramiro Vióla: atualmente esta difícil de citar nomes de duplas ou artistas verdadeiramente comprometidos com “Autenticidade Caipira Sertaneja”, pois a maioria das duplas que surgem já vem engarupado e não tem nada a ver com o nosso Caipira Sertanejo. Já vem com tudo pronto, muito dinheiro, condições e, quase nada de verdadeiro talento, mas isso deve-se também a grande falta de compositores do segmento caipira que estão escassos no mercado. Mas, graças à Deus, ainda temos grandes nomes que preservam a autenticidade caipira. Posso citar aqui alguns deles como minoria: Liu & Léu, Zé Mulato & Cassiano, Zé do Cedro & Tião do Pinho e a nossa querida amiga Inezita Barroso que faz questão de dizer que, ser caipira é nossa vida.
Prosa Caipira: se pudesse fazer uma previsão, como o senhor vê o futuro da música caipira?
Ramiro Vióla: eu vejo atualmente que infelizmente a nossa musica caipira esta sendo mais do que nunca invadida por estranhos no ninho, todos na minha opinião sem opção e sem criatividade própria para ser ou não ser um autêntico Sertanejo Caipira. Fazem regravações por falta de autores caipiras, distorcem os temas musicais por falta de imaginação, enfim, o futuro só tem a piorar se continuar do jeito que vai indo… quem viu, viu, quem não viu jamais verá o que nós vimos…
Prosa Caipira: como o senhor define o trabalho da dupla Ramiro Vióla e Pardini?
Ramiro Vióla: o trabalho da dupla Ramiro Vióla & Pardini eu defino como um comprometimento com a nossa Cultura Musical Sertaneja Caipira e autêntica, pois nela esta a essência de nossos temas musicais e nosso jeito de ser. Minhas modas eu arranco seus temas e suas palavras lá do fundo de meu coração e as transcrevo para o papel para que quando de nossas apresentações eu as apresente como sendo um filho.
Prosa Caipira: quais os planos para o futuro da dupla Ramiro Vióla e Pardini?
Ramiro Vióla: como diz o velho ditado, o futuro à Deus pertence, eu só peço para que Deus nos dê saúde e inspiração para que continuemos com a nossa missão de cantar, compor, tocar viola e propagar sempre a nossa Musica Raiz. E lembrando sempre uma frase que digo: “Feliz o Povo que tem Histórias pra contar, Lembrando sempre daqueles que a Construíram”.
A dupla “Ramiro Vióla & Pardini” existe desde 06 de Novembro de 1999, estamos com 7 CDs gravados até 2008, realizamos shows por todo o Brasil onde nos contratam, estivemos em agosto de 2010 nos Estados Unidos, na Cidade de Orlando – Flórida, onde participamos de uma Conferência Mundial Sobre Armas & Drogas na Juventude. Lá estavam pessoas de 46 Países aos quais se encantaram com a nossa musica de raiz. Atualmente estamos planejando e sendo convidados para apresentações na África do Sul, Japão e novamente nos EUA em Nova York.
Contatos para Show da dupla Ramiro Vióla & Pardini:
Telefone: (14) 3815-4088
e-mail: ramiroviola@uol.com.br
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Amigo Ramiro Viola…
É muito gratificante saber que existe pessoa como voce, sempre ostentando com orgulho a bandeira da nossa genuina musica de raiz. Também por conhecê-lo melhor através desta bela entrevista a qual me deixou ainda mais intusiasmado pelo seu trabalho e apreço dispensado em pról da nossa música autêntica caipira.
Que Deus lhe dê muitos anos para continuar impunhando esta bandeira e levando o que há de mais puro nas comunidades sertanejas deste Brasil que tanto amamos.
Abraços fraternos deste teu amigo e admirador…
Zequinha de Campos
Olá meu queridoAmigo Ramiro Vióla! gostei muito do conteúdo de sua entrevista e te afirmo que você pode contar com um compositor nato da autêntica móda caipira.
Seu nome é Odair Manzano . E você tem que conhecer o trabalho dele prá ver que tem sim ainda compositores desse tão consagradíssimo gênero musical.
E se essas duplinhas “sertanôjos” quiser, tem sim conteúdo mais que o suficiente prá eles gravarem e evitar estarem estragando a nossa tradicional musica gravada com seus intérpretes originais.
E tem mais. vamos gravar um cd com os Poêmas conforme combinamos ?
É só marcar a hora e o dia.
Abraço do amigo: ODAIR MANZANO
odairmanzanoshow@hotmail.com
http://www.difusorasantacruz.com.br
Olá, Ramiro!
Tenho certeza que você é o maior representante da nossa música caipira da nossa região. Admiro muito esse duplão (Ramiro Viola e Pardini). Você compôs um dos cateretês mais lindos que já escutei – Saudade Doída.
Um grande abraço e que Deus lhes abençoe!
Rubens
Parabéns Ramiro pelas belas palavras de suas respostas. Não concordo muito que a música de raiz vai acabar. Enquanto nós tivermos pessoas como você que luta com unhas e dentes para manter viva a verdadeira música sertaneja, nós ainda vamos ver e ouvir as canções da roça e do sertão, imortalizadas na voz de verdadeiros cantores sertanejos. Parabéns pelo seu belíssimo trabalho e da dupla Ramiro Viola e Pardini.
Marcos.
Em meio a tanta “conversa fiada” de que a música raiz se acabou, aí está o nosso Prosa Caipira mostrando o quão viva está a nossa eterna música raiz, autenticamente brasileira.
Grande abraço ao Ramiro Vióla, meu irmãozão.
Violeiro, Cantor, Compositor, Pesquisador, Divulgador, Incentivador e Defensor da Cultura Caipira, Professor, Radialista e Apresentador.
Esse é o meu grande amigo e conterrâneo, Ramiro Vióla !
Parabéns pela entrevista.
Abraços,
Cumpadres Ramiro Vióla e Pardini!!!
Parabéns mais uma vez!!!
Parabéns, Cumpadre Zé Caipira por essa maravilhosa Entrevista!!!
Também tive oportunidade de conhecer o Cumpadre José Simião, na época em que a Igreja do Bom Jesus do Ribeirão Grande estava em construção!!! É graças a uma Entrevista como essa e a tal demostração de bastante Conhecimento que a gente mantém a Esperança de que a História, a Cultura e a autêntica Música Caipira Raiz continuam vivas, mesmo que às vezes nos pareça apenas um Fiozinho D’ Água, como diria o saudoso João Pacífico!!!
A Dupla Ramiro Vióla e Pardini, assim como sites como o http://www.prosacaipira.com.br estão aí para testemunhas que essa História não vai desaparecer tão cedo…
Parabéns mais uma vez, Cumpadres, Zé Caipira, Ramiro Vióla e Pardini!!!
Recebam mais uma vez um grande abraço do Ricardinho!!!
Caro Ramiro e Pardini
às vezes o coração fala mais alto e podemos ter uma grande emoção ou uma grande decepção, dependendo claro da competência e do dom do dono do coração.
Vcs. foram abençoados pelo Criador com o dom da música, da poesia e da prosa.
Ouvi-los, faz bem à alma, pois a pureza do homem do campo, da forma que é colocada, principalmente nas composições do Ramiro, vide Lembrança do Meu Pai, mostram o verdadeiro coração sertanejo.
Ainda há esperança, ainda poderá haver salvação … Ramiro e Pardini são o retrato dessa verdade.
Um abraço a vcs. do Fescina
Prezado e querido amigo Zé Caipira, deixo aqui meu agradecimento a você e a todos que aqui deixaram a sua mensagem, em nome da dupla Ramiro Vióla e Pardini envio a todos os apreciadores da Nossa Verdadeira Moda Raíz um grande e fraterno abraço, e como diz em uma de minhas últimas composições, Título:
“DR. ZERO”
“O meu jeito de caboclo ninguém rouba ninguém tira… ser doutor é muito bom… mas eu nasci pra ser caipira
O Diploma de doutor não tirei porque não quiz… Se eu fosse diplomado não faria oque eu já fiz… Prefiro tocar viola sapatiá e dancá catira… Sou um “Zero” em doutor mas cem por cento caipira”.
Não Percam, dia 17 de Abril 2011 a apresentação da Dupla Ramiro Vióla e Pardini no Programa Viola Minha Viola a partir das 9 horas da manhã, ao lado da nossa querida Inezita Barroso!!!
Viva a Viola Caipira, um Instrumento da Paz!!!
Abs;
Ramiro Vióla e Pardini – “Os Violeiros Matutos”.
14 – 3815-4088
ramiroviola@uol.com.br
A todos os visitantes que deixaram uma mensagem e ao querido Ramiro Vióla que concedeu esta entrevista, o meu MUITO OBRIGADO!
Abraços, saúde e paz
Zé Caipira