Na Serra da Canastra, uma das experiências mais interessantes de produção artesanal começa com um problema bastante concreto: o que fazer com o soro que sobra da fabricação do queijo?
Na Faz o Bem Queijaria, em Piumhi, Minas Gerais, a resposta veio de um resgate que por muito tempo fez parte da vida rural brasileira: o porco crioulo.
O produtor Vinícius Soares voltou para a propriedade da família depois de cerca de dez anos trabalhando no mercado de laticínios. Hoje, produz queijo Minas Artesanal de casca florida natural, feito com leite cru e fermento natural, o chamado pingo.
Para Vinícius, o queijo é resultado de um sistema que começa muito antes da queijaria. A produção agroecológica busca preservar a biodiversidade, melhorar o solo e criar um ambiente rico em microrganismos — características que também aparecem no queijo durante a maturação.
Mas o projeto ganhou uma nova dimensão quando os porcos Piau chegaram à propriedade.

“Não é só a raça. É o sistema de produção Porco da Mata, como se produzia nas pequenas propriedades e até nos quintais antigamente.”
Vinícius Soares - Produtor Rural - Piumhi (MG)
O soro vira alimento

A lógica é simples: o que sobra de uma atividade passa a alimentar outra.
Antes dos porcos, o soro precisava ser tratado como um resíduo. Em grande quantidade, provocava mau cheiro e atraía insetos. Hoje, ele sai diretamente da queijaria e é utilizado na alimentação dos animais. Os porcos também recebem pasto, milho crioulo e alimentos disponíveis na propriedade. A intenção é aproveitar cada vez mais os recursos produzidos dentro da própria fazenda e reduzir a necessidade de insumos externos.
O retorno do porco Piau
O projeto Porco da Mata resgata o modo de criação tradicional do porco caipira, com animais soltos e alimentação natural.
O Piau é uma raça crioula brasileira, associada a uma antiga forma de criação baseada em animais mais rústicos, criados soltos e alimentados com recursos disponíveis na propriedade.
Na Faz o Bem, o projeto também busca recuperar esse modelo de criação.
As matrizes permanecem com os filhotes, sem gaiolas, e os animais têm acesso a pasto e outros alimentos. Características como rusticidade, comportamento materno e capacidade de adaptação são tão importantes quanto o padrão físico da raça.
A intenção é formar um rebanho que não seja apenas uma reserva genética, mas parte de um sistema produtivo viável.
E existe um objetivo claro: transformar essa carne em um produto de maior valor.
Da criação à charcutaria

O primeiro microlote exclusivo com apenas 29 unidades está disponível AQUI
Em Capitólio, a história do porco encontra a charcutaria de Wagner, da Sal do Engenho. Ali, cortes suínos passam por processos lentos de salga, secagem e maturação, em uma estrutura simples que busca reproduzir o ambiente das antigas caves e porões.
Entre os produtos está a carne na lata, uma das formas tradicionais de conservação da carne de porco na região. Antes da geladeira, a carne era cozida lentamente, frita na própria gordura e depois armazenada completamente coberta por banha. O método conservava a carne e, ao mesmo tempo, criava uma textura suculenta e um sabor característico.
Agora, essa tradição ganha um novo capítulo. A Faz o Bem Queijaria e a Sal do Engenho se uniram para produzir um lote exclusivo de carne na lata feita com o porco Piau criado na própria Faz o Bem dentro do sistema Porco da Mata.
O queijo de casca florida

Um exemplar fiel à tradição local e um representante legítimo de um clássico da gastronomia brasileira.
Ao lado da carne na lata, o kit traz um dos destaques da Faz o Bem Queijaria: o queijo Canastra de casca florida, vencedor do título de vice-campeão no Concurso Estadual 2025 da Emater “Queijos Artesanais de Minas Gerais”. Produzido com leite cru e maturado naturalmente, ele desenvolve uma camada de fungos selecionados que participa da transformação da casca, influencia textura e aromas e ajuda a construir a personalidade do queijo. Na Canastra, esse processo ganha ainda mais significado: os microrganismos presentes no ambiente e as características do território contribuem para que cada queijo carregue marcas próprias da região, refletindo o chamado terroir da Serra da Canastra. Para completar o primeiro kit oficial do Prosa Caipira, este queijo de 500g acompanha o microlote exclusivo de carne na lata de porco Piau.
Paredão da Canastra em São Roque de Minas (MG)
Mais do que um canal, uma ponte para o campo

O Prosa Caipira nasceu para contar histórias do universo rural brasileiro a partir de quem vive e produz no campo. Ao longo dos episódios, o canal percorre propriedades, acompanha produtores, conhece técnicas tradicionais e mostra de perto os territórios que dão identidade aos alimentos que chegam à nossa vitrine virtual.
Agora, essa experiência ganha um novo caminho. A loja oficial do Prosa Caipira aproxima o público dos produtores que aparecem nas nossas histórias, levando para casa alimentos que conhecemos de perto e nos quais acreditamos. Cada produto carrega uma origem, uma técnica e uma história — e é justamente essa conexão entre campo, cultura, território e consumidor que queremos preservar. A Serra da Canastra é apenas o começo.
