fev 05 2010

Livro, Os Pioneiros: a Origem da Música Sertaneja de MS

Publicado por Zé Caipira na categoria Dicas

Livro Os Pioneiros“Os Pioneiros – A Origem da Música de Mato Grosso do Sul’ enfoca a primeira leva de compositores do Sul de Mato Grosso. O livro trata de artistas que, a partir da década de 50, deram os primeiros passos para criar a música sul-mato-grosssense. O autor Rodrigo Teixeira entrevistou os protagonistas desta história, reuniu dezenas de fotografias e organizou uma discografia com mais de 100 discos. ‘Os Pioneiros’ é um mergulho na gênese da história da música de Mato Grosso do Sul!”

_ Autor: Rodrigo Teixeira
_ Download gratuíto do livro.

Deixe seu comentário

fev 02 2010

Paulo Freire, artista com alma caipira

Publicado por Zé Caipira na categoria Entrevistas

Caipira, violeiro, escritor, ator, contador de causos, produtor, assim é Paulo Freire. Um artista. Vai lendo…

Prosa Caipira: você aprendeu a tocar viola no sertão de Urucuia, Minas Gerais, com o Sr Manoel de Oliveira. Imagino que aprender viola no sertão de Minas Gerais, em contato direto com a roça, tenha sido uma experiência fantástica. Dá pra descrever a importância desta sua convivência com o povo simples do interior brasileiro durante seu aprendizado na viola?

Paulo FreirePaulo Freire: para mim, a música da roça precisa ser aprendida na roça. O sertanejo vive encantado em suas manifestações artísticas. Os toques de viola do Norte de Minas lidam com os fenômenos da natureza. Quando conheci o seu Manoel foi como desembocar em um grande rio, muito antigo e generoso. E a música do mestre continua me guiando. É impressionante o tanto de assunto que ela carrega. Fizemos um show juntos no final de 2009, lá no Urucuia, que foi extraordinário. Depois fiquei arranchado em sua casa, ouvindo e contando causo, deitado na rede e tomando banho de rio com os filhos de seu Manoel, meus irmãos. Tudo isso alimenta minha arte e só sou violeiro graças à esta formação.

Prosa Caipira: e sua experiência aprendendo violão clássico em Paris, como contribuiu para a formação do violeiro Pauo Freire?

Paulo Freire: depois que morei no Urucuia, senti falta de um aprimoramento técnico no instrumento, no caso o violão. Também quis aproveitar todas as oportunidades que uma cidade como Paris nos proporciona. Assisti grandes concertos, freqüentei cursos de música, convivi com artistas de diferentes países. Estudei seriamente durante um ano e meio. Depois passei mais um ano viajando e tocando pela Europa. Foram dois aprendizados fundamentais, o primeiro me alimentando de uma cultura estabelecida e forte, o segundo tocando dias e noites e conhecendo novos países. Isso se reflete nos caminhos que busco para a música que faço.

Prosa Caipira: quem são os violeiros que te inspiram?

Paulo Freire: além do seu Manoel, alguns outros violeiros do Norte de Minas, como o Adão Barbeiro, Zé Costa e Alírio Ramos. Renato Andrade sempre me inspirou, para tocar e contar causo, a figura do Renato é importantíssima para os violeiros. E tem um bocado de companheiro aí na estrada, que se falar de um e esquecer do outro, alguém vai acabar me rogando uma praga. E praga de violeiro…

Prosa Caipira: na sua opinião, quais músicas caipiras não podem faltar em uma roda de viola?

Paulo FreirePaulo Freire: acabei de me apresentar em uma roda de viola com o Índio Cachoeira e o Ricardo Anastácio. Nunca tínhamos feito nada juntos. E foi ótimo! A tendência é tocarmos os clássicos, como Rio de Piracicaba e Tristezas do Jeca, mas também apresentamos músicas nossas. Devo muito minha formação às Folias de Reis. Durante os pousos nos giros de folia, o que mais tocávamos nas rodas eram luduvinas, inhuma, rio abaixo, lundus. Então acho que existem vários tipos de roda de viola, e os clássicos que cada violeiro abraça.

Prosa Caipira: em seu livro “Eu Nasci Naquela Serra” você narra a história dos compositores Angelino de Oliveira, Raul Torres e Serrinha que foram grandes nomes na história da música caipira. A música caipira mudou bastante nos últimos anos. Como você analisa a música caipira produzida nos dias atuais?

Paulo Freire: outro dia escutei no rádio uma entrevista com uma nova dupla. Eles explicaram de uma forma bem sucinta este causo. Falaram: primeiro teve a música caipira, depois a sertaneja, a sertaneja romântica e agora a sertaneja universitária. Acho que é simples assim, são músicas distintas com alguns traços em comum (às vezes só as vozes duetadas). Tem gente séria fazendo. Mas também tem gente só querendo se dar bem, seguindo alguma fórmula. A história da arte sempre foi assim.  E aí também entra a questão do gosto, tudo muito subjetivo. Enfim, essa é uma conversa comprida e espinhuda.

Prosa Caipira: a viola hoje está presente nos concertos, na universidade, e vem ganhando um destaque cada vez maior no cenário musical. Dá pra pensar em viola sem pensar em música caipira?

Paulo FreirePaulo Freire: tenho pensando cada vez mais no seguinte, a viola realmente vem se projetando e ganhando novos espaços, mas creio que o lugar mais importante da viola continua sendo a roça. Os interessados em buscar a essência deste instrumento, devem se lembrar sempre disso e buscar as Folias de Reis e toda a cultura do campo. Viola é a música caipira. Mas não só a música caipira produzida pelas duplas, tem também a música que se faz no sertão, em contato íntimo com a natureza, as músicas de caráter religioso, como os terços cantados e rezados com viola. Enfim, a viola tem assunto que não acaba mais. E cabe a nós todos que amamos este instrumento e o que ele representa, procurarmos estes conhecimentos tão importantes para a cultura brasileira.

Prosa Caipira: e o futuro, está trabalhando em algum novo projeto?

Paulo Freire: estou ainda envolvido com o trabalho que lancei ano passado (2009): Nuá, as músicas dos mitos brasileiros, um CD junto com um livro de causos em que trato do encontro com os incríveis seres de nossas matas. Finalizei um novo romance, estou em negociação com algumas Editoras. Se tudo der certo, lanço este romance ainda em 2010. Em março saio em uma turnê por Santa Catarina, dentro do projeto Baú de Histórias, promovido pelo SESC SC, serão cerca de 40 apresentações. Estou escrevendo as minhas músicas para um álbum de partituras. Ana Salvagni e eu preparamos um novo repertório de voz e viola. Junto à ilustradora mineira Juli Buli preparamos uma série de livros para crianças. E ainda tem alguns projetos que estou namorando para este ano. Em meu site, o www.paulofreire.com.br, vou contando tudo. Apareçam!!


Crédito das Imagens – www.paulofreire.com.br

2 Comentários sobre este texto

jan 28 2010

Minuto Caipira 002 – Especial Tião Carreiro, Modas de Viola

Publicado por Zé Caipira na categoria Minuto Caipira

Para o segundo programa Minuto Caipira, selecionei 8 Modas de Viola do saudoso Tião Carreiro. São grandes sucessos que não podem faltar em uma boa roda de viola, confira, basta pressionar o botão “Play” abaixo!

 
icon for podpress  Minuto Caipira 002 [26:35m]: Play Now | Play in Popup | Download

-

01 – Boiada Cuiabana, Tião Carreiro e Pardinho (Raul Torres). Belíssima moda que conta a história, em detalhes, de uma viagem de boiadeiros ao estado de Mato Grosso. Termina com um encontro de amor entre o boiadeiro e uma paraguaia. Ao chegar em “Campo Grande num cassino eu fui entrando…”.

02 – Consagração, Tião Carreiro e Pardinho (Carreirinho). Moda de campeão, conta a história dos desafios entre violeiros, onde a dupla mais habilidosa nos acordes e nos versos ganhava o respeito do povo.

03 – Minha Vida, Tião Carreiro e Pardinho (Carreirinho e Vieira). Modão que conta a história da vida de um violeiro. Dá uma cutucada com muito bom humor nos violeiros que tem fama de não pegarem no trabalho pesado, “só falar no trabalho, quase que eu me desmaio…”.

04 – O Mineiro e o Italiano, Tião Carreiro e Pardinho (Teddy Vieira e Nelson Gomes). Um mineiro astuto e um um italiano brigando por terra. O resultado é surpreendente e divertido!

05 – Boi Sete Ouro, Tião Carreiro e Pardinho (Teddy Vieira e Arlindo Rosas). História folclórica de um boi que nenhum peão conseguia parar no lombo, só com reza brava!

06 – Viola Vermelha, Tião Carreiro e Pardinho (Tião Carreiro e Jesus Belmiro). Linda e emocionante homenagem que Tião Carreiro fez ao grande violeiro Florêncio. Mostra a amizade sincera e o respeito entre o “Rei do Pagode” e o “canhoteiro de fibra”.

07 – Pousada de Boiadeiro, Tião Carreiro e Pardinho (Dino Franco e Tião Carreiro). Moda que conta a história da infância de muitos brasileiros com poesia e beleza, no tempo das pousadas dos peões de boiadeiro.

08 – Exemplo de Humildade
, Tião Carreiro e Pardinho (Dino Franco e Tião Carreiro). Narra com maestria a situação em que o caboclo age com humildade, mesmo diante de uma situação revoltante e humilhante. Um verdadeiro exemplo de humildade.

Participe, deixe suas sugestões e comentários para o próximo programa.

Deixe seu comentário