ago 24 2011

João Pacífico

Publicado por Zé Caipira na categoria Caipirada

João Pacífico

João Pacífico

João Batista da Silva era neto de escravos e filho de escrava com homem branco. O menino de origem pobre nasceu na fazenda Cascalho, no município de Cordeirópolis (SP), em 05 de agosto de 1909. Dos 10 aos 15 anos morou na cidade de Campinas, onde trabalhou como ajudante de copeiro na casa das irmãs de Carlos Gomes.

Desembarcou em São Paulo, na Estação da Luz, em plena revolução de 24, aos 15 anos de idade. Chegou na cidade grande sozinho, com uma sacola de roupas velhas e uma carta de recomendação para trabalhar em uma fábrica de tecidos.

“Quando desci do trem os soldados me perguntaram, ‘ô menino, pra onde você vai?’; eu repondi que ia pra Barra Funda e eles me disseram pra eu correr, pois as seis horas em ponto começava o tiroteio na Avenida Tiradentes. Era guerra com hora marcada”.

Na capital paulista trabalhou durante 37 anos no Banco Italo-Belga, como office-boy e mais tarde como motorista particular do presidente do banco. Homem elegante, alto e simpático, conquistava as pessoas por onde passava. Suas características lhe renderam o apelido mais do que merecido, Pacífico. Com seu jeito sereno e calmo de ser tornou-se amigo do poeta Mario de Andrade.

Foi o criador da chamada “Toada Histórica”, onde as canções apresentam uma declamação introdutória que funciona como aquecimento para a ação que vem a seguir, já na forma de música, cantada em dupla. Foi assim com “Cabocla Tereza” e “Chico Mulato”, ambas em parceria com Raul Torres. João Pacífico também foi co-autor, ao lado de seu parceiro preferido, Raul Torres, de outro hino da música caipira, “Pingo d’Agua”.

Na “Toada Histórica”, a declamação que antecede a música precisa ser muito bem falada, sem exageros por parte do cantador. João Pacífico era mestre na arte de declamar, fazia com naturalidade e leveza, sem carregar a letra e sem se tornar enjoativo. Registros apontam que o compositor Pacífico deixou um acervo de 256 músicas gravadas por diferentes artistas e outras dezenas permaneceram inéditas.

Tornou-se uma lenda no universo caipira, um poeta respeitado e admirado. Relatos apontam que ele compunha batucando na mesa da cozinha com um pedaço de papel e um lápis. Gravou apenas um disco, cantando e declamando – chamado “João Pacifico” pela (WEA) em 1979.

Raul Torres, Florêncio e João Pacífico

Raul Torres, Florêncio e João Pacífico

Faleceu, aos 89 anos, em 30 de novembro de 1998 esquecido pela mídia e sem recursos financeiros. No auge da música caipira, o retorno financeiro poderia ter sido melhor se João Pacífico tivesse enfrentado os microfones. Manteve-se sempre na retaguarda, longe dos holofotes, com o emprego fixo no banco. Seus cantores “oficiais” eram Raul Torres e Florêncio.

Algumas canções que fazem parte da história da música caipira tem participação do compositor João Pacífico.

_ Cabocla Tereza
_ Chico Mulato
_ Pingo d’Agua
_ Minas Gerais
_ No Mourão da Porteira
_ História de um Prego
_ No Romper da Aurora

Rolando Boldrin considera João Pacífico o “Noel Rosa da música caipira, um verdadeiro mestre”.

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Bibliografia
Nepomuceno, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Ed. 34, 1999.
Ribeiro, José Hamilton. Música Caipira: as 270 maiores modas de todos os tempos. São Paulo: Globo, 2006.

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ago 17 2011

Raul Torres

Publicado por Zé Caipira na categoria Caipirada

Filho de imigrantes espanhóis, Raul Montes Torres (1906 – 1970), nasceu em Botucatu. Ainda na juventude se mudou para São Paulo, onde foi carroceiro na estação da Luz, transportando pessoas. Sua licença para conduzir carroça era de número 5.732. Por trabalhar próximo a estação acabou arrumando emprego de ferroviário. Raul trabalhou na antiga estrada de ferro Sorocabana até se aposentar.

Antes de se consagrar como compositor caipira Raul percorreu outros gêneros. Foi ele o autor da música de carnaval “A Cuíca está Roncando”. Participou de várias duplas, uma delas com Serrinha, seu sobrinho de Botucatu, até encontrar seu parceiro, Florêncio, um dos maiores violeiros que existiu, segundo Tião Carreiro.

Florêncio era da cidade de Barretos e além de exímio violeiro também era compositor. A dupla Raul Torres e Florêncio faz parte de um time de primeira categoria da música caipira de todos os tempos. Durante muito tempo Raul Torres e Florêncio se apresentaram com o sanfoneiro Rielli, formando assim “Os Três Batutas do Sertão”.

A obra de Raul Torres é extensa em número e qualidade. Difícil falar de música caipira sem ao menos citar umas das canções de Raul Torres. Alguns de seus principais sucessos:

_ Boiada Cuiabana.
_ Moda da Mula Preta.
_ Cavalo Zaino.
_ Colcha de Retalhos.
_ Ingratidão.
_ Saudades de Matão.
_ Chico Mulato.
_ Cabocla Tereza.
_ Pingo d’Agua.
_ Boiadeiro Apaixonado.
_ Mula Baia.

Compositor de classe, Raul Torres também tinha um estilo próprio de cantar com voz mansa e suave. Seu visual era singular, andava sempre com o terno alinhado e o cabelo muito bem penteado. Na época era um galã que arrancava suspiros das meninas. Foi o primeiro caipira a ter programa de rádio e um dos pioneiros na apresentação em circos pelo interior paulista.

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Bibliografia
Nepomuceno, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Ed. 34, 1999.
Ribeiro, José Hamilton. Música Caipira: as 270 maiores modas de todos os tempos. São Paulo: Globo, 2006.

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abr 12 2011

Teddy Vieira

Publicado por Zé Caipira na categoria Caipirada

Autor, ao lado de Luizinho, de uma das músicas caipiras mais tocadas até hoje, “O Menino da Porteira”, Teddy Vieira nasceu em Itapetininga (SP) em 23 de dezembro de 1922 e faleceu em 16 de dezembro de 1965. Por ser diretor artistico da Continental, uma das gravadoras mais importantes da época, trabalhou na composição de muitas músicas ao lado de vários parceiros.

Vieira, da dupla Vieira e Vieirinha, contava que enquanto a maioria dos compositores fazia primeiro a letra para depois ajeitar a música, Teddy criava mentalmente a letra e a música juntas. Aí pegava uma viola e mostrava aos amigos pedindo sugestões para dar o arremate final.

Tenente reservista do Exército, Teddy Vieira morreu jovem aos 43 anos, vítima de um acidente de automóvel. Deixou um valor incalculável à cultura caipira com suas composições, dentre elas podemos destacar:

_ O Menino da Porteira.
_ Pagode em Brasília.
_ João de Barro.
_ Couro de Boi.
_ Tenente Mineirinho.
_ Boiadeiro Errante.
_ Rei do Gado.
_ O Mineiro e o Italiano.
_ Preto Inocente.
_ Peito Sadio.

Suas músicas foram sucesso principalmente na voz e na viola da dupla “Tião Carreiro e Pardinho”. Outro grande interprete que fez sucesso com as músicas de Teddy Vieira foi Sérgio Reis.

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Bibliografia
Nepomuceno, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Ed. 34, 1999.
Ribeiro, José Hamilton. Música Caipira: as 270 maiores modas de todos os tempos. São Paulo: Globo, 2006.

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